segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Banal...

Passam onze minutos das cinco da manhã e encontro-me exactamente no mesmo lugar à umas horas, acorrentado pelo tédio macabro desta noite de verão. Sinto-me cansado mas não me apetece dormir apesar de ter de o fazer, pelo menos se quiser acordar a horas "convenientes" amanhã: Nunca gostei de acordar muito tarde mas por outro lado, gosto demasiado de dormir, pois durante o sono todos os desejos e emoções refundidos dispertam e correm sem ordem no meu inconsciente. Já à tempos que vou vendo se escrevo de novo em poesia, essa vida paralela, mas o descanso mental desactivou algumas conexões importantes para a minha actividade cerebral.
Conversa fiada e não sei se chego a algum lado nem sei se o tenciono fazer... ultimamente tenho-me sentido demasiado "banal" neste mundo, o que me deixa um pouco vazio... diria triste. Mas continuarei a seguir o que sonho e acredito, só assim me sentirei menos "banal", ou seja "especial" no sentido de marcar o próximo positivamente.
Se há conselho que gosto de dar, é que sigam os vossos sonhos acima de tudo... se se acharem demasiado "banais" (o que concerteza não são), tentem ao menos ser especiais para as pessoas que têm perto de vocês... a essas sim, devem a vossa "especialidade".

Bem, chega de conversa que se faz tarde.
Depois disto, amanhã concerteza me sentirei mais "especial" :)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Talvez...

Na eventualidade de não ter postado ultimamente, talvez postarei agora... talvez. Em principio sim, não há nada que me impeça de não postar e, mesmo que não goste desta minha criação espontânea, não me esforçarei para a melhorar ao ponto de ficar uma obra-prima... Já agora... o que é uma obra-prima? Secalhar estou a fazer uma e não sei... é tudo muito complexo e não fui bem feito para pensar apesar de admitir que por vezes dá jeito.
(...) Relendo tudo o que escrevi, reparei na falta de conteudo destas palavras juntas... Talvez o sentido seja mesmo esse: Para criar, simplesmente ao juntarmos palavras, mesmo sem ideia predefinida, mesmo que saia algo bizarro e ridículo, grande parte dos momentos marcantes da nossa vida também são assim... simples, bizarros e ridiculos... não há nada mais especial que isto.


Vá...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Olho para o cais

Olho para o cais,
Não tenho barco, só horizonte.
O mar é longo e desejo tê-lo.
Passas por mim e onde vais?
Para a terra onde tudo se esconde,
Ou seguirás por teu azul belo?

Em mim tenho o céu,
Que lá longe beija o solo.
Confuso Vivo, e morrerei de certeza.
Tudo existe, mesmo no breu,
Como suave e insípido golo
Em garganta inflamada de pureza.



André Santos

domingo, 7 de março de 2010

Cheira a manhã...

Cheira a manhã…
Acordo cheio de vazio.
Frieza e apatia vã,
conhece-me hoje e não amanhã,
porque só a mudança eu crio.

Porque é que sou diferente
sendo apenas eu em tudo?
Porque é que vivo confuso e descontente?
Será o meu sonho insuficiente?
Como é instável o meu escudo…

Sinto-me vazio…
Nada que diga me faz sentido:
Como um corpo morto e frio,
que, inexplicavelmente, sentiu
desejo incansável de não ter arrefecido.





André Santos

domingo, 31 de janeiro de 2010

Imaginação

Fonte de todo o sonho
voa por mim e só por mim.
Do êxtase ao medonho,
de tudo em mim disponho,
para trazer poemas sem fim.

Dois olhos num peito,
dois braços na barriga.
Mesmo que nada tenha jeito,
desde que tudo esteja feito,
aceito… para que o sonho some e siga.

Tudo o que vejo… é só meu.
Ninguém poderá julgar uma só minha criação.
Quem tem esse direito sou apenas eu,
no meu mundo com os tons de Orpheu,
vive e só reina a poderosa imaginação.



André Santos

domingo, 24 de janeiro de 2010

Aguarela

Sinto-me bem e olho pela janela:
O Sol brilha apesar das nuvens
Que largam água, mas eu só vejo uma tela
Onde desenho com alegres cores uma aguarela,
Que faz o dia sorrir, com pequenos pormenores inúteis

Mascaro o meu dia, triste para o mundo
Mas não para mim, sinto-me bem comigo.
De felicidade eu abundo,
E num belo desenho, eu inundo
Com olhares dóceis e amigos…

Doces, aqueles olhares,
Inúteis num planeta tão vasto...
Mas também desenho um banco para te sentares,
E mesmo há chuva, desejares
Um sonho maior neste globo gasto.


André Santos

sábado, 16 de janeiro de 2010

A minha Pátria é a Língua Portuguesa

Talvez seja o poema mais longo que escrevi... feito para um trabalho de Português, senti uma grande vontade de escrever sobre o tema e eis o resultado:


Pátria… palavra fera
pela qual foram travadas guerras,
sem razão, sem sentimento.
A minha pátria está na terra,
e reparo que esta, em desespero berra,
à espera de paz e entendimento.

Este solo, manchado de sangue e dores,
coberto de ódios que consomem flores,
vive velho, cansado, apodrecido.
Vive sem esperança, profano,
pois reparou que o próprio ser humano
espezinhou-o, deixando-o desolado, destruído…

Pátria é a minha língua, mas não o meu país.
Não consigo perdoar males feitos desde a sua raiz.
Eu sei que nem Deus o pediu,
para que Cruzados matassem em seu nome,
trazendo horror ao inocente que dorme,
pois queria dormir em paz… e conseguiu.

Pessoa tentou e eu sigo-o no seu objectivo.
Levar a nossa pátria a ser algo mais…
Mas hoje em dia dominam programas televisivos,
banais, triviais e dolorosamente corrosivos,
sem originalidade, todos iguais…

Mas de mim, ao menos estou satisfeito.
Nunca me desiludirei comigo, é uma certeza.
Pessoa… descansa, porque tu foste o eleito.
Onde quer que vá, seja qual for o destino, eu aceito,
pois levarei sempre comigo a Língua Portuguesa.


André Santos