Perseguir o que nunca apanho,
tentar ter o que não tenho,
mesmo sem eu querer.
Há algo que me força e empurra
a correr a estrada mais escura,
apenas pelo prazer de o fazer.
E o meu pulmão vai aguentando,
o ritmo cardíaco vai aumentando,
mas parar, eu já não posso...
Por isso, continuo na cavalgada,
deste caminho sem chegada
que na minha frente deitou-se...
André Ortega
2/09/2011
Pensa... para quê teres olhos e visão? Se constantemente vês com olhares alheios. Vê o mundo com os teus olhos, como tu o queres ver. Se o vires como os outros já não és tu que o vês...
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
Perene Busca
Imagina um dia eterno de sol,
o fundo azul sem fim aparente.
Numa direcção aponta o girassol,
num mundo amarelo e quente.
Cada cidadão vive sorridente.
Nada abala esse amor celestial.
Naqueles peitos fluem nascentes
cheias da tal frescura jovial.
E para mim, que lá vivo, nada me é especial...
Nada me choca e tudo me contorna,
seja a água que nunca se entorna,
ou o copo que teima em não tombar...
Que sentimento estranho e marginal!
Baptizo-o então...
Como o elemento que me afasta da ilusão:
Tristeza.
E quão bizarro é dar um nome destes,
e retirar dele tanta beleza...
Assim já reconheço o que sinto,
e respiro mais profundamente,
sei que pelo menos não me minto
mesmo que a dor me afugente.
Voltando ao que em mim existe,
Seja ingénua mentira ou infame verdade,
mantenho algo que ainda persiste:
É que sei, que num mundo de repleta felicidade,
há quem procure por um dia triste.
André Ortega
6/08/2011
o fundo azul sem fim aparente.
Numa direcção aponta o girassol,
num mundo amarelo e quente.
Cada cidadão vive sorridente.
Nada abala esse amor celestial.
Naqueles peitos fluem nascentes
cheias da tal frescura jovial.
E para mim, que lá vivo, nada me é especial...
Nada me choca e tudo me contorna,
seja a água que nunca se entorna,
ou o copo que teima em não tombar...
Que sentimento estranho e marginal!
Baptizo-o então...
Como o elemento que me afasta da ilusão:
Tristeza.
E quão bizarro é dar um nome destes,
e retirar dele tanta beleza...
Assim já reconheço o que sinto,
e respiro mais profundamente,
sei que pelo menos não me minto
mesmo que a dor me afugente.
Voltando ao que em mim existe,
Seja ingénua mentira ou infame verdade,
mantenho algo que ainda persiste:
É que sei, que num mundo de repleta felicidade,
há quem procure por um dia triste.
André Ortega
6/08/2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Preguiça
Areias-me os pés,
movediça, te alimentas
dos meus sonhos e descrenças...
Queres-me a mim, invés
de tudo o que poderei ser
sem a tua maldita presença...
E, como essa tua influência
me deixa desequilibradamente enfadado,
com o prazer de nada ter de fazer...
Como me deixo levar por essa essência,
que nunca é essencial para o afortunado,
que tem a celestial sorte de não te ter...
Mas... que posso fazer?
Se essas presas são inquebráveis,
contra a força dos mortais.
Resposta minha é crescer...
Tornar os meus membros maleáveis,
tornar-te o comum dos banais.
André Ortega
08/07/2011
movediça, te alimentas
dos meus sonhos e descrenças...
Queres-me a mim, invés
de tudo o que poderei ser
sem a tua maldita presença...
E, como essa tua influência
me deixa desequilibradamente enfadado,
com o prazer de nada ter de fazer...
Como me deixo levar por essa essência,
que nunca é essencial para o afortunado,
que tem a celestial sorte de não te ter...
Mas... que posso fazer?
Se essas presas são inquebráveis,
contra a força dos mortais.
Resposta minha é crescer...
Tornar os meus membros maleáveis,
tornar-te o comum dos banais.
André Ortega
08/07/2011
sábado, 2 de julho de 2011
Calabouço
Porque vejo o que não quero?
Porque me deixo consumir?
Quero desvendar o que é mistério,
quero num nevoeiro me diluir.
Quero ser procurado,
e sentir o prazer de não ser achado,
como um enigma se deve sentir
por nunca ser solucionado.
Quero ser um fantasma
mas quero que de mim se lembrem.
O meu corpo continuará no calabouço,
preso às correntes que eu próprio criei.
André Ortega
01/07/2011
Porque me deixo consumir?
Quero desvendar o que é mistério,
quero num nevoeiro me diluir.
Quero ser procurado,
e sentir o prazer de não ser achado,
como um enigma se deve sentir
por nunca ser solucionado.
Quero ser um fantasma
mas quero que de mim se lembrem.
O meu corpo continuará no calabouço,
preso às correntes que eu próprio criei.
André Ortega
01/07/2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
A Forca
Nada fiz...
Esse é o meu julgamento.
Tudo quis,
mas foi apenas em pensamento.
Enlaço a minha própria corda,
é esse o meu fado, a minha sorte...
Só assim a minha alma acorda:
Se a sacudir com a morte.
O meu pescoço marcado assa,
mas é pouco sofrimento para a consciência.
Ela apenas quer algo que não passa:
Quer a minha própria displicência.
André Ortega
23/05/2011
Esse é o meu julgamento.
Tudo quis,
mas foi apenas em pensamento.
Enlaço a minha própria corda,
é esse o meu fado, a minha sorte...
Só assim a minha alma acorda:
Se a sacudir com a morte.
O meu pescoço marcado assa,
mas é pouco sofrimento para a consciência.
Ela apenas quer algo que não passa:
Quer a minha própria displicência.
André Ortega
23/05/2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Não Sei
Mente minha, mente minha…
Cansada andas das tribulações.
Meu corpo pelo mesmo caminha,
saturado de passeios e procissões.
Não sinto dor, nem sei se sinto.
Dormência da vontade que entristece.
Sem cores, não sei se pinto
o bipolar vazio que permanece.
E que sonhos infinitos procrio,
tantas janelas para uma só porta…
E, hoje, não sei se me encho ou esvazio,
desse qualquer nada que me suporta.
Não sei se me encaro
ou se me minto.
Cada palavra a mais me envelhece…
Apenas sei que pagarei caro,
por criar em mim o labirinto,
de quem teve tudo aquilo que não merece.
André Ortega
2/05/2011
Cansada andas das tribulações.
Meu corpo pelo mesmo caminha,
saturado de passeios e procissões.
Não sinto dor, nem sei se sinto.
Dormência da vontade que entristece.
Sem cores, não sei se pinto
o bipolar vazio que permanece.
E que sonhos infinitos procrio,
tantas janelas para uma só porta…
E, hoje, não sei se me encho ou esvazio,
desse qualquer nada que me suporta.
Não sei se me encaro
ou se me minto.
Cada palavra a mais me envelhece…
Apenas sei que pagarei caro,
por criar em mim o labirinto,
de quem teve tudo aquilo que não merece.
André Ortega
2/05/2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Trilho
Apetece-me fugir, correr
sem destino nem estrada.
Passar pelas ruas e perceber,
que nunca me disseram nada.
Quero sumir, desaparecer,
andar perdido na caminhada.
Sentir momentos a perecer,
e outros a nascer pela geada.
Cansado, eu já fiquei, pesado,
vítima da intempérie daquele trilho.
Mas antes ser odiado que mal amado,
por isso seguirei, mesmo carregado
daquilo que mais dói e eu não partilho.
André Ortega
4/04/2011
sem destino nem estrada.
Passar pelas ruas e perceber,
que nunca me disseram nada.
Quero sumir, desaparecer,
andar perdido na caminhada.
Sentir momentos a perecer,
e outros a nascer pela geada.
Cansado, eu já fiquei, pesado,
vítima da intempérie daquele trilho.
Mas antes ser odiado que mal amado,
por isso seguirei, mesmo carregado
daquilo que mais dói e eu não partilho.
André Ortega
4/04/2011
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