Mente minha, mente minha…
Cansada andas das tribulações.
Meu corpo pelo mesmo caminha,
saturado de passeios e procissões.
Não sinto dor, nem sei se sinto.
Dormência da vontade que entristece.
Sem cores, não sei se pinto
o bipolar vazio que permanece.
E que sonhos infinitos procrio,
tantas janelas para uma só porta…
E, hoje, não sei se me encho ou esvazio,
desse qualquer nada que me suporta.
Não sei se me encaro
ou se me minto.
Cada palavra a mais me envelhece…
Apenas sei que pagarei caro,
por criar em mim o labirinto,
de quem teve tudo aquilo que não merece.
André Ortega
2/05/2011
Pensa... para quê teres olhos e visão? Se constantemente vês com olhares alheios. Vê o mundo com os teus olhos, como tu o queres ver. Se o vires como os outros já não és tu que o vês...
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Trilho
Apetece-me fugir, correr
sem destino nem estrada.
Passar pelas ruas e perceber,
que nunca me disseram nada.
Quero sumir, desaparecer,
andar perdido na caminhada.
Sentir momentos a perecer,
e outros a nascer pela geada.
Cansado, eu já fiquei, pesado,
vítima da intempérie daquele trilho.
Mas antes ser odiado que mal amado,
por isso seguirei, mesmo carregado
daquilo que mais dói e eu não partilho.
André Ortega
4/04/2011
sem destino nem estrada.
Passar pelas ruas e perceber,
que nunca me disseram nada.
Quero sumir, desaparecer,
andar perdido na caminhada.
Sentir momentos a perecer,
e outros a nascer pela geada.
Cansado, eu já fiquei, pesado,
vítima da intempérie daquele trilho.
Mas antes ser odiado que mal amado,
por isso seguirei, mesmo carregado
daquilo que mais dói e eu não partilho.
André Ortega
4/04/2011
domingo, 13 de março de 2011
Ri!
Ri! Ri com toda a tua força,
até a respiração te custar!
Para que, a quem te veja ou ouça,
possas tu contaminar.
Ri sem limites, sem medos!
Este é o melhor analgésico.
Cura sofrimentos e enredos,
sem ajuda de revistas ou médicos.
Ri e gargalha em contornos de maluquice,
a correr, sentado ou de pé!
Porque se o mundo todo sorrisse,
então hoje seria bem melhor do que é!
Gargalho estas palavras, incansavelmente
escrevo sem saber o que o que escrevo.
A seriedade é dúbia e mentirosamente,
corrompe sociedades, cépticos e crentes.
Que riam com vontade, a dizer me atrevo!
E corajosos são aqueles,
que riem da sua própria tristeza,
da sua própria solidão.
Verdade só é verdade quando sorri.
Por isso ri, com a única certeza,
de que se não o fizeres, tudo é em vão.
André Ortega
13/03/2011
até a respiração te custar!
Para que, a quem te veja ou ouça,
possas tu contaminar.
Ri sem limites, sem medos!
Este é o melhor analgésico.
Cura sofrimentos e enredos,
sem ajuda de revistas ou médicos.
Ri e gargalha em contornos de maluquice,
a correr, sentado ou de pé!
Porque se o mundo todo sorrisse,
então hoje seria bem melhor do que é!
Gargalho estas palavras, incansavelmente
escrevo sem saber o que o que escrevo.
A seriedade é dúbia e mentirosamente,
corrompe sociedades, cépticos e crentes.
Que riam com vontade, a dizer me atrevo!
E corajosos são aqueles,
que riem da sua própria tristeza,
da sua própria solidão.
Verdade só é verdade quando sorri.
Por isso ri, com a única certeza,
de que se não o fizeres, tudo é em vão.
André Ortega
13/03/2011
domingo, 6 de março de 2011
Paciente do Quarto Nº 7
Acordo numa manhã,
ou será tarde? Pouco importa.
No mesmo estado, longe de sã,
e ninguém a entrar pela porta...
Não passo de mais uma,
num quarto de branco infinito.
A solidão é a doença mais dura,
qual tumor, qual amargura...
O coração abranda aflito...
No quarto nº 7, sou paciente,
mas a minha paciência esgotou.
Estou apenas de corpo presente,
pois a alma aproveitou e escapou.
E ao virar a minha cabeça,
olho as nuvens pela janela,
e seja o que for que aconteça,
lembrar-se-ão de mim de certeza.
Nunca as deixei, e contento-me ao vê-las.
Sei que me querem bem,
mas não ficarei bem como queriam.
Já lhes dei nomes, até convém
tratar, quando se tem alguém,
por alcunhas, e dar-lhes o que mereciam.
Vejo que hoje estão amargas,
acinzentaram-se e choram compulsivas.
Não se preocupem amigas amadas:
A minha vida toda foi feita de nadas,
e agora por vós, acaba preenchida...
André Ortega
07/03/2011
ou será tarde? Pouco importa.
No mesmo estado, longe de sã,
e ninguém a entrar pela porta...
Não passo de mais uma,
num quarto de branco infinito.
A solidão é a doença mais dura,
qual tumor, qual amargura...
O coração abranda aflito...
No quarto nº 7, sou paciente,
mas a minha paciência esgotou.
Estou apenas de corpo presente,
pois a alma aproveitou e escapou.
E ao virar a minha cabeça,
olho as nuvens pela janela,
e seja o que for que aconteça,
lembrar-se-ão de mim de certeza.
Nunca as deixei, e contento-me ao vê-las.
Sei que me querem bem,
mas não ficarei bem como queriam.
Já lhes dei nomes, até convém
tratar, quando se tem alguém,
por alcunhas, e dar-lhes o que mereciam.
Vejo que hoje estão amargas,
acinzentaram-se e choram compulsivas.
Não se preocupem amigas amadas:
A minha vida toda foi feita de nadas,
e agora por vós, acaba preenchida...
André Ortega
07/03/2011
sábado, 5 de março de 2011
Poeta é Filósofo
Poeta não é filósofo,
pois não pensa, só transmite
aquilo que absorveu
e a natureza humana omite.
Nos dias de hoje
para pensar é preciso estofo,
vida recheada e bem composta.
A sociedade até cheira a mofo
da mente supérflua e mal disposta.
Não sei se poeta é filósofo,
porque se transmitiu, foi porque pensou...
Esta própria afirmação me confirmou,
que fui eu aquele que se iludiu
na realidade ilusória que me sequestrou...
Mas sei que o meu mundo
é onde só se imagina.
Fecho os meus olhos e viajo
sem querer saber do que se aproxima.
Afinal sim, o poeta é um filósofo!
Afirmo porque realmente o sinto!
E nada mais puro que este momento:
Como sol que ilumina caminho de labirinto,
a verdade sempre se ofusca com o sentimento.
André Ortega
06/03/2011
pois não pensa, só transmite
aquilo que absorveu
e a natureza humana omite.
Nos dias de hoje
para pensar é preciso estofo,
vida recheada e bem composta.
A sociedade até cheira a mofo
da mente supérflua e mal disposta.
Não sei se poeta é filósofo,
porque se transmitiu, foi porque pensou...
Esta própria afirmação me confirmou,
que fui eu aquele que se iludiu
na realidade ilusória que me sequestrou...
Mas sei que o meu mundo
é onde só se imagina.
Fecho os meus olhos e viajo
sem querer saber do que se aproxima.
Afinal sim, o poeta é um filósofo!
Afirmo porque realmente o sinto!
E nada mais puro que este momento:
Como sol que ilumina caminho de labirinto,
a verdade sempre se ofusca com o sentimento.
André Ortega
06/03/2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Mendigo
De passagem passam seres vazios,
com a mão no bolso porque temem.
E aquilo que os faz ser tão frios,
está nessa algibeira, doentios
dedos que a si mesmos ferem.
Naquele apertar, naquele papel.
E quem sou eu nesta postura?
Deitado, ensanguentado,
a viver em passeios de sujidade...
E sempre a mim fui fiel...
Apenas nunca estive a altura
desse ar sem orgulho, pois foi vendido,
prefiro ficar no entulho, fortalecido
contra tal fútil e mediocridade...
E contempla bem o meu olhar,
pois sei que te enojo e te repugno...
Mas mais repugnante é ver que o teu nada tem.
Preenchido por nada, esse olhar é turvo,
sem amor nem vida... sem ninguém.
André Ortega
03/03/2011
com a mão no bolso porque temem.
E aquilo que os faz ser tão frios,
está nessa algibeira, doentios
dedos que a si mesmos ferem.
Naquele apertar, naquele papel.
E quem sou eu nesta postura?
Deitado, ensanguentado,
a viver em passeios de sujidade...
E sempre a mim fui fiel...
Apenas nunca estive a altura
desse ar sem orgulho, pois foi vendido,
prefiro ficar no entulho, fortalecido
contra tal fútil e mediocridade...
E contempla bem o meu olhar,
pois sei que te enojo e te repugno...
Mas mais repugnante é ver que o teu nada tem.
Preenchido por nada, esse olhar é turvo,
sem amor nem vida... sem ninguém.
André Ortega
03/03/2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
O Cubo Mágico
Olho para ti como quem olha um mundo,
complexo, efémero e encardido.
Sabendo lá que eras diamante em bruto,
num lago imundo escondido.
Gostava de te resolver sem te questionar,
mas sem questões, os problemas se multiplicam.
E só a mim mesmo me posso explicar
as soluções que os mesmos justificam.
E eu podia ser mais, mas não sou. Chiça!
Dor no peito de quem quis e não mudou.
O pior inimigo de um génio é a preguiça,
que leva ao Hades a vida de quem criou.
André Ortega
31/01/2011
(Escrito para a curta-metragem "O Cubo Mágico", escrita por... mim xD)
complexo, efémero e encardido.
Sabendo lá que eras diamante em bruto,
num lago imundo escondido.
Gostava de te resolver sem te questionar,
mas sem questões, os problemas se multiplicam.
E só a mim mesmo me posso explicar
as soluções que os mesmos justificam.
E eu podia ser mais, mas não sou. Chiça!
Dor no peito de quem quis e não mudou.
O pior inimigo de um génio é a preguiça,
que leva ao Hades a vida de quem criou.
André Ortega
31/01/2011
(Escrito para a curta-metragem "O Cubo Mágico", escrita por... mim xD)
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