Acordo numa manhã,
ou será tarde? Pouco importa.
No mesmo estado, longe de sã,
e ninguém a entrar pela porta...
Não passo de mais uma,
num quarto de branco infinito.
A solidão é a doença mais dura,
qual tumor, qual amargura...
O coração abranda aflito...
No quarto nº 7, sou paciente,
mas a minha paciência esgotou.
Estou apenas de corpo presente,
pois a alma aproveitou e escapou.
E ao virar a minha cabeça,
olho as nuvens pela janela,
e seja o que for que aconteça,
lembrar-se-ão de mim de certeza.
Nunca as deixei, e contento-me ao vê-las.
Sei que me querem bem,
mas não ficarei bem como queriam.
Já lhes dei nomes, até convém
tratar, quando se tem alguém,
por alcunhas, e dar-lhes o que mereciam.
Vejo que hoje estão amargas,
acinzentaram-se e choram compulsivas.
Não se preocupem amigas amadas:
A minha vida toda foi feita de nadas,
e agora por vós, acaba preenchida...
André Ortega
07/03/2011
Pensa... para quê teres olhos e visão? Se constantemente vês com olhares alheios. Vê o mundo com os teus olhos, como tu o queres ver. Se o vires como os outros já não és tu que o vês...
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Poeta é Filósofo
Poeta não é filósofo,
pois não pensa, só transmite
aquilo que absorveu
e a natureza humana omite.
Nos dias de hoje
para pensar é preciso estofo,
vida recheada e bem composta.
A sociedade até cheira a mofo
da mente supérflua e mal disposta.
Não sei se poeta é filósofo,
porque se transmitiu, foi porque pensou...
Esta própria afirmação me confirmou,
que fui eu aquele que se iludiu
na realidade ilusória que me sequestrou...
Mas sei que o meu mundo
é onde só se imagina.
Fecho os meus olhos e viajo
sem querer saber do que se aproxima.
Afinal sim, o poeta é um filósofo!
Afirmo porque realmente o sinto!
E nada mais puro que este momento:
Como sol que ilumina caminho de labirinto,
a verdade sempre se ofusca com o sentimento.
André Ortega
06/03/2011
pois não pensa, só transmite
aquilo que absorveu
e a natureza humana omite.
Nos dias de hoje
para pensar é preciso estofo,
vida recheada e bem composta.
A sociedade até cheira a mofo
da mente supérflua e mal disposta.
Não sei se poeta é filósofo,
porque se transmitiu, foi porque pensou...
Esta própria afirmação me confirmou,
que fui eu aquele que se iludiu
na realidade ilusória que me sequestrou...
Mas sei que o meu mundo
é onde só se imagina.
Fecho os meus olhos e viajo
sem querer saber do que se aproxima.
Afinal sim, o poeta é um filósofo!
Afirmo porque realmente o sinto!
E nada mais puro que este momento:
Como sol que ilumina caminho de labirinto,
a verdade sempre se ofusca com o sentimento.
André Ortega
06/03/2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Mendigo
De passagem passam seres vazios,
com a mão no bolso porque temem.
E aquilo que os faz ser tão frios,
está nessa algibeira, doentios
dedos que a si mesmos ferem.
Naquele apertar, naquele papel.
E quem sou eu nesta postura?
Deitado, ensanguentado,
a viver em passeios de sujidade...
E sempre a mim fui fiel...
Apenas nunca estive a altura
desse ar sem orgulho, pois foi vendido,
prefiro ficar no entulho, fortalecido
contra tal fútil e mediocridade...
E contempla bem o meu olhar,
pois sei que te enojo e te repugno...
Mas mais repugnante é ver que o teu nada tem.
Preenchido por nada, esse olhar é turvo,
sem amor nem vida... sem ninguém.
André Ortega
03/03/2011
com a mão no bolso porque temem.
E aquilo que os faz ser tão frios,
está nessa algibeira, doentios
dedos que a si mesmos ferem.
Naquele apertar, naquele papel.
E quem sou eu nesta postura?
Deitado, ensanguentado,
a viver em passeios de sujidade...
E sempre a mim fui fiel...
Apenas nunca estive a altura
desse ar sem orgulho, pois foi vendido,
prefiro ficar no entulho, fortalecido
contra tal fútil e mediocridade...
E contempla bem o meu olhar,
pois sei que te enojo e te repugno...
Mas mais repugnante é ver que o teu nada tem.
Preenchido por nada, esse olhar é turvo,
sem amor nem vida... sem ninguém.
André Ortega
03/03/2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
O Cubo Mágico
Olho para ti como quem olha um mundo,
complexo, efémero e encardido.
Sabendo lá que eras diamante em bruto,
num lago imundo escondido.
Gostava de te resolver sem te questionar,
mas sem questões, os problemas se multiplicam.
E só a mim mesmo me posso explicar
as soluções que os mesmos justificam.
E eu podia ser mais, mas não sou. Chiça!
Dor no peito de quem quis e não mudou.
O pior inimigo de um génio é a preguiça,
que leva ao Hades a vida de quem criou.
André Ortega
31/01/2011
(Escrito para a curta-metragem "O Cubo Mágico", escrita por... mim xD)
complexo, efémero e encardido.
Sabendo lá que eras diamante em bruto,
num lago imundo escondido.
Gostava de te resolver sem te questionar,
mas sem questões, os problemas se multiplicam.
E só a mim mesmo me posso explicar
as soluções que os mesmos justificam.
E eu podia ser mais, mas não sou. Chiça!
Dor no peito de quem quis e não mudou.
O pior inimigo de um génio é a preguiça,
que leva ao Hades a vida de quem criou.
André Ortega
31/01/2011
(Escrito para a curta-metragem "O Cubo Mágico", escrita por... mim xD)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Mensagem
Há sempre algo mais a descobrir,
escondido, por nós mesmos, encoberto.
Mas não há outra forma de sentir
senão com o coração. Há que fugir
da banalidade deste deserto...
E porquê viver só por viver,
Se conhecer é mais que isso?
Para quê ambicionar fazer,
sem andar no chão que piso?
Porque a Terra roda, pequena,
E o dia que acaba, não sabemos...
Mais vale fazer valer a pena,
aquele pouco nada que temos.
André Ortega
27/12/2010
escondido, por nós mesmos, encoberto.
Mas não há outra forma de sentir
senão com o coração. Há que fugir
da banalidade deste deserto...
E porquê viver só por viver,
Se conhecer é mais que isso?
Para quê ambicionar fazer,
sem andar no chão que piso?
Porque a Terra roda, pequena,
E o dia que acaba, não sabemos...
Mais vale fazer valer a pena,
aquele pouco nada que temos.
André Ortega
27/12/2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Degrau
Tropeço na pedra do chão infinito
sem amparo para queda livre.
Fecho os olhos, já não acredito.
Estou mais longe do que alguma vez estive...
Do sonho, escapar tentou mas não larguei,
não posso deixar que uma queda o permita.
É apenas uma má estrada, quase lei
de passagem para quem a transita.
E aqueles que por lá partem
temem em nunca mais chegar.
Mas pessoas fortes não são as que nunca caem,
são as que lutam para se levantar.
André Ortega
21/11/2010
sem amparo para queda livre.
Fecho os olhos, já não acredito.
Estou mais longe do que alguma vez estive...
Do sonho, escapar tentou mas não larguei,
não posso deixar que uma queda o permita.
É apenas uma má estrada, quase lei
de passagem para quem a transita.
E aqueles que por lá partem
temem em nunca mais chegar.
Mas pessoas fortes não são as que nunca caem,
são as que lutam para se levantar.
André Ortega
21/11/2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Kléos
Sempre desejei ser mais
que simplesmente ser...
E por entre querer
e sonhar demais,
medo é o meu de nada ter.
Olhar para a posteridade,
ver-me em palavras futuras.
Ser mudança de sociedade,
ser luz de estradas obscuras.
E mesmo tendo feridas
gravadas com meu próprio punhal...
Eu só quero fazer em vida,
coisas dignas de me tornar imortal...
André Ortega
12/11/2010
que simplesmente ser...
E por entre querer
e sonhar demais,
medo é o meu de nada ter.
Olhar para a posteridade,
ver-me em palavras futuras.
Ser mudança de sociedade,
ser luz de estradas obscuras.
E mesmo tendo feridas
gravadas com meu próprio punhal...
Eu só quero fazer em vida,
coisas dignas de me tornar imortal...
André Ortega
12/11/2010
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