domingo, 21 de novembro de 2010

Degrau

Tropeço na pedra do chão infinito
sem amparo para queda livre.
Fecho os olhos, já não acredito.
Estou mais longe do que alguma vez estive...

Do sonho, escapar tentou mas não larguei,
não posso deixar que uma queda o permita.
É apenas uma má estrada, quase lei
de passagem para quem a transita.

E aqueles que por lá partem
temem em nunca mais chegar.
Mas pessoas fortes não são as que nunca caem,
são as que lutam para se levantar.


André Ortega
21/11/2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Kléos

Sempre desejei ser mais
que simplesmente ser...
E por entre querer
e sonhar demais,
medo é o meu de nada ter.

Olhar para a posteridade,
ver-me em palavras futuras.
Ser mudança de sociedade,
ser luz de estradas obscuras.

E mesmo tendo feridas
gravadas com meu próprio punhal...
Eu só quero fazer em vida,
coisas dignas de me tornar imortal...



André Ortega
12/11/2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Insónia

Um caminho sem rumo,
sem meta, só partida.
Lugar coberto de fumo,
de álcool e de ferida.

Porquê ser mais um,
quando posso muitos ser?
Acabo por não ser nenhum,
e no fundo nada ter...

Apenas sei que a vida se afasta,
e ela própria a mim arrasta,
sem dó nem misericórdia.

E a solidão é o que mais custa,
a aquecer o coração, que ilustra
esta noite frígida de insónia.



André Ortega

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sonolência

Pestanas que se juntam,
pálpebras que mergulham
sobre olhos que se cansam
mas não fecham, pois quando avançam
são ressuscitados com agulhas.

Sei que não devo a esta hora,
mas tal coisa não escolhe tempo.
Quem manda querer ver aurora,
e resistir a ela que me devora
pouco a pouco... lentamente.

E por mais que sol veja,
ele já me conhece, sabe que sou assim...
Apaixonado pela lua, que me beija,
faz com que a Sonolência, com inveja,
me assole na manhã incandescente sem fim.


André Santos

domingo, 24 de outubro de 2010

Porquê?

Porquê? É a pergunta mais frequente,
de quem de outra maneira sente.
Castigos, já foram muitos...
mas todos eles pareceram poucos,
sem força, arrasados e roucos...

Grito para o vazio e nada se ouve,
tudo se dissipa quando em ti penso...
Não preciso de nada, nem de lenço,
sei que para ti não foi nada de novo...

Queria que sentisses apenas metade
da dor que foge, do rancor que se solta...
E sei que ficarás pouco à vontade,
quando a culpa te manchar o rosto, e a humidade
surgir no coração gélido que não volta...


André Santos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poema Épico I

Voltando atrás no tempo,
vendo Aquiles de pés velozes
aniquilar Heitor, grande guerreiro,
sem piedade, golpes vis e atrozes.

Mas com flechas e calcanhares,
Tróia não cai antes de Aquiles.
Apenas quando Ulisses,
astuto, de mil olhares,
resolve dar um Cavalo como brinde.

E, notando na Terra
que Atlas carrega
no Tártaro, profundezas de Hades.
Desejava viver mil aventuras
como Hércules, e ser gravura
de cem mitos e cem verdades.

Mas caminho numa sociedade
sem Heróis nem magia...
Onde o ser já não se enaltece com poesia,
mas com um papel que se diz com valor...
Oxalá tudo voltasse à época da criação,
que tudo era comandado pela imaginação.



André Santos
18/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hoje

Hoje, dia um a partir de ontem,
acordo com vontade de saber
para onde vai e de onde vem
esse teu nada para dizer.

Chego do passado para o presente,
procurando por um futuro.
Nada sei, não sou vidente,
caminho sem cessar, crente
que no lugar certo perduro...

E julgar que já caminhei
sem saber tê-lo feito...
É ser soberano sem ser rei,
ser um sonho sem conceito.



André Santos
6/10/2010