segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Problemas


Julgo que dos problemas mais pertinentes que as pessoas podem ter é não saber o que é e não é um problema. Encontramos problemas e questões em todo o lado, maioria delas cuja relevância é mínima, tão minúscula que cabe no espaço entre a unha e o dedo, como os piolhos quando são apanhados fora de casa. Penso que esses problemas mini meus fazem parte da grande necessidade do ser humano em se preocupar com algo, manter a actividade cerebral ocupada mesmo que seja um completo desperdício de espaço mental de nossa parte. Deveríamos olhar mais para o que nos rodeia e perguntar a nós mesmos "O que realmente importa?", e verão que encontrarão respostas mais interessantes e úteis, como também perceberão o quão ridículos e insignificantes eram aqueles problemas em primeiro lugar.  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Queimadura

Era manhã e já veio tarde
mas a madrugada avisou,
que aquele corpo que arde
até o chão carbonizou.

Estou fodido e com razão...
Apenas não sei essa razão.
Sinto injustiça na pulsação,
um ardor que segue o coração...

Custa respirar...
Já o sinto em cada veia.
Cada criar...
Alivia sempre quem receia.

Mas não me sinto aliviado,
nem poema nem escrita me aliviou...
Continuo taciturno e malfadado.
Eu sou o tal, o corpo carbonizado,
que nem a própria cinza restou.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Vem, mundo!

Abri a porta ao mundo e deixei-o entrar, amortecido pela minha inconsciência que favorecia a minha acção. O consciente ficou perdido na sua própria ânsia de controlo e sede de tomar conta. Julguei que me havia esquecido do tempo que passei a sonhar, criando novos mundos e cenários, novos paradigmas, cujas personagens eram tudo aquilo que mais desejava ser, ou aquilo que mais repudiava. Sonhava com um sonho cuja minha inércia, na sua mestria para o engano e procrastinação, sentia-se no direito de me ocultar. A minha luta continua, incessante e delirante, contra mim mesmo e aquilo que não acho certo. Tenho e sinto tudo em mim. É o sabor amargo mas também delicioso de estar vivo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mãe Natureza

Fala comigo...
Apesar de poucos te ouvirem,
eu farei o esforço, porque o quero.

Tu tens-me contigo...
Como tens todos os que te sentirem
e até aqueles que te cuspiram...
No seu enterro...

E quem sou eu para te invadir,
essa frescura do teu rio,
esse ar que tu transformas.

Dás-me tudo isso sem te pedir,
trazes-me a cura nesse teu frio,
levas-me a paz de outras formas...

Poucos percebem a tua importância,
outros ignoram qualquer tipo de razão...
Mas só aqueles que te conhecem a substância
poderão um dia saber quem são.


André Ortega
2/02/2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Absoluto

Não acredito em absolutos,
pois tudo é relativo...
Sendo este o único absoluto
que tenho como motivo.

Nada é absoluto,
excepto o contraste que o afirma.
E ao contrariar o próprio absoluto,
tudo se confirma.

Não existem absolutos,
e mais absoluto que isto não há.
Em cada coisa má, há coisa boa,
E em coisa boa, há coisa má.

A vida é o maior absoluto,
sem questões nem matriz.
Pois a verdade que fomos fruto
de uma árvore sem raiz.


André Ortega
18/01/2012

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ilha

Ilha minha e do meu povo,
como me confortas e me ouves,
tudo o que temos é só nosso,
tudo o que é nosso, sempre houve.

E tudo o que já houve, há de haver,
se ainda aqui tivermos para o querer,
enquanto a tua praia me acolher,
cá estarei para me aquecer.

E cada passo meu se torna lento,
na lentidão que o tempo traz lentamente...
Fica só para mim este suave acento,
onde imóvel e arrepiado contemplo
este pôr-do-sol, eternamente...


André Ortega
18/10/2011


Nota: Baseado na música - http://www.youtube.com/watch?v=5AovNqx-czI

domingo, 2 de outubro de 2011

Paralelo

Para ser terra, tem de ser mar,
para ser quente, tem de ser fogo,
para haver ódio, tem de se amar,
para haver vida, tem de haver folgo...

Para haver belo, tem de haver feio,
tem de haver o falso para haver honesto,
tens de estar vazio para ficares cheio,
tem de haver palavras e tem de haver gestos.

Tem de existir o mundo, tem de existir gente,
para existir a luz, tem de haver o breu.
Tem de existir caminho para olhar em frente,
tens de existir tu para existir eu.


André Ortega
1/10/2011